Nascido em um coração
quente e pulsante, aquele pequeno sonho se sentia grande e
importante, sabia que se tornaria realidade, pois o coração ao qual
ele pertencia a cima de tudo era confiante e entusiasmado, sabia que
só alguns passos e aconteceria.
Mas não foi bem assim,
com o tempo aquele sonho teve que dividir o lugar com a realidade,
com as ilusões e desilusões da vida, com o cansaço da rotina, e
com a dor da perda, e aquele coração outrora confiante e pulsante
se tornou temeroso e cansado, sem ânimo para novas tentativas, com
medo de falhar, medo de decepcionar os outros, aquele coração já
não aguentava mais ser chamado de louco, ser deixado de lado, e teve
que se adaptar a realidade, trancou seus sonhos numa gaveta, e
passou a viver de contingências, mal batia, sobrevivia.
Assim o
tempo passou, e aquele pequeno sonho se sentia cada vez mais
inalcançável sentia o frio que agora reinava no coração no qual vivia, mas ainda lutava e se debatia naquela gaveta, queria ser ouvido
de novo, sabia que o coração precisava dele para voar, não queria
morrer ali esquecido.
Depois de tantas dores,
o coração já não se arriscava, construíra um muro em volta de si
pra evitar ataques, o que fez com que fosse cada vez mais difícil para ele
voar, mal olhava o horizonte, mal sorria. Mas um dia enquanto tentava
esquecer a vida, ouviu um ruido numa gaveta que ele nunca abria, escutou uma musica que lhe era conhecida, quele som trouxe
tantas boas lembranças que entre excitação e hesitação ele abriu a gaveta, e pulou sobre ele um pequeno sonho, quase sem forças
mas cheio de brilho e de possibilidades, e foi como uma chama
acendendo de novo o coração e causando uma rachadura no muro, o coração foi invadido por um raio de luz o iluminando de vontade e animo, e por uma brisa
balançando de novo suas asas. Mesmo com medo de falhar ele sabia
que dessa vez poderia seguir aquele sonho e aos poucos levantar voo.
Quando a gaveta
finalmente se abriu, aquele pequeno e maltratado sonho viu sua
oportunidade, saltou e agarrou com todas as forças que podia o
coração ao qual pertencia, sentiu-se de novo confiante sabia que
dessa vez poderia crescer e voar.
E até hoje aquele sonho esquecido
numa gaveta voa junto ao coração que o gerou.
