domingo, 30 de agosto de 2015

SobreViver

Sem medo que te prenda,
nem dinheiro, nem fazendas, nem amor
Com uma vida inteira para deixar para trás e para levar junto a si
sem orgulhos ou ressentimentos
nem pensamentos de destruição
sem bagagens, só lembranças
chegou ao ponto em que tem que decidir para onde ir
porque ficar onde está não é mais uma opção
Aproveita oh alma atormentada,
que a sua casa desmoronou e os alicerces estão todos a mostra
e constrói algo novo
Oh espírito viajante,
aproveita que suas roupas rasgaram no caminho
e veste-se de púrpura
Aproveita minha pequena,
que a vida ainda é plena pela frente
e vive.




sábado, 1 de agosto de 2015

Sobre o que se quer

Se fosse a poesia que importasse, não iríamos querer mais?
Se fosse o sorriso mais bonito, o olhar mais sincero,
se fosse o abraço de carinho que nos protegesse, não iríamos querer mais?
Não iríamos querer o amor sem palavras, e com todas as palavras do mundo?
Iríamos querer também a paixão interminável,
o frio na barriga incurável,
a chama da procura daquilo que já se tem nas mãos.
Iríamos querer tudo,
e porque não também um pouco mais?
Iríamos querer um ao outro,
como ao mundo todo.

Poema a Morte

Quando a morte chegar
e eu sei que ela vem
Não levarei saudades
e acho que não as deixarei
irei sozinha a morte e eu
na solitária missão de colocar um fim a vida
Chegaremos juntas em um raro momento de cumplicidade
e dessa vez, só dessa vez chegaremos ao fim

Quantas vezes flertamos, distantes um suspiro
quantas vezes quase nos apresentamos formalmente
mas a vida sempre esteve entre nós
Quantas vezes nos sonhos antigos dirigidos a mim foram seus versos
Quantas vezes minha voz silenciosa a chamou
Morte, oh Morte,
quando você chegar não esqueça de me levar para perto de ti