sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Carta para Vida

Queria saber mais da vida, aprender mais, acho que uma vida é pouco para tudo que eu queria
Queria amar tão loucamente, que em algum momento eu não poderia contar minha vida em anos.
Gostaria de ter filhos, amá-los como a mim mesma, e vê-los voar pelo mundo tocando a vida dos outros com esse amor.
Gostaria de saber o suficiente para ensinar tanto quanto fosse possível e útil aos outros, ao ponto em que o conhecimento fosse só um detalhe das vidas que trocaram transformações entre si.
Gostaria de viver um dia em cada lugar, e deixar algo de bom ao ir embora, de tal forma que eu ainda estivesse ali.
Gostaria de ter coragem para que os medos e preconceitos não me contaminassem, para que eu pudesse lembrar que impossível é só mais uma palavra para “incomodo demais para ser tentado”.
Queria viver mais nos ritmos que escuto na minha cabeça, e dançar nas cores que vejo em cada nota.
Só queria extravasar os limites desse corpo mortal, e tocar na dimensão em que tudo é recebido com o sorriso de quem sabe que tudo se transforma em bem.
Gostaria de usar bem a lei da inercia e continuar em movimento mesmo depois de gastar toda força.
Gostaria de dançar como se estivesse sozinha, mesmo que segurando a sua mão.
Dança comigo?
Eu só queria transbordar toda essa loucura real, fantasia apaixonada que vive em mim desde sempre e está represada pela necessidade de viver. 
Essa vida é pouca para toda essa vida contida dentro de mim.
Eu só queria viver mais!

domingo, 4 de outubro de 2015

O Passar do Tempo

No começo eramos crianças
brincando ao redor do mundo
sentindo o cheiro de todas as brisas
eramos jovens com muita energia
correndo pelas escadas sem parar
eramos tantas coisas,
eramos nós mesmos.

Depois exigimos tanto do que deveríamos ser
que nem percebemos que o tempo passava
queríamos ser o que eramos no começo, e nos perdemos
brincar virou uma obrigação
uma prova de que ainda eramos aquelas crianças
correr nos cansava tanto que não aproveitávamos a brisa
queríamos subir,
estar a frente,
mas já não queríamos ser nós.

domingo, 30 de agosto de 2015

SobreViver

Sem medo que te prenda,
nem dinheiro, nem fazendas, nem amor
Com uma vida inteira para deixar para trás e para levar junto a si
sem orgulhos ou ressentimentos
nem pensamentos de destruição
sem bagagens, só lembranças
chegou ao ponto em que tem que decidir para onde ir
porque ficar onde está não é mais uma opção
Aproveita oh alma atormentada,
que a sua casa desmoronou e os alicerces estão todos a mostra
e constrói algo novo
Oh espírito viajante,
aproveita que suas roupas rasgaram no caminho
e veste-se de púrpura
Aproveita minha pequena,
que a vida ainda é plena pela frente
e vive.




sábado, 1 de agosto de 2015

Sobre o que se quer

Se fosse a poesia que importasse, não iríamos querer mais?
Se fosse o sorriso mais bonito, o olhar mais sincero,
se fosse o abraço de carinho que nos protegesse, não iríamos querer mais?
Não iríamos querer o amor sem palavras, e com todas as palavras do mundo?
Iríamos querer também a paixão interminável,
o frio na barriga incurável,
a chama da procura daquilo que já se tem nas mãos.
Iríamos querer tudo,
e porque não também um pouco mais?
Iríamos querer um ao outro,
como ao mundo todo.

Poema a Morte

Quando a morte chegar
e eu sei que ela vem
Não levarei saudades
e acho que não as deixarei
irei sozinha a morte e eu
na solitária missão de colocar um fim a vida
Chegaremos juntas em um raro momento de cumplicidade
e dessa vez, só dessa vez chegaremos ao fim

Quantas vezes flertamos, distantes um suspiro
quantas vezes quase nos apresentamos formalmente
mas a vida sempre esteve entre nós
Quantas vezes nos sonhos antigos dirigidos a mim foram seus versos
Quantas vezes minha voz silenciosa a chamou
Morte, oh Morte,
quando você chegar não esqueça de me levar para perto de ti

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quebra-Cabeça

Sempre tive dificuldades em me importar com o que os outros pensam, não sou boa em me encaixar, a verdade é que sempre quando tentei levar em conta o que os outros iriam pensar eu entrei no “modo mecânico” e já não era eu que vivia e sim aquela que os outros queriam que eu fosse, ao mesmo tempo sinto aquela culpa de ser quem eu sou, por quê simplesmente não consigo fazer parte.
Não sei se sou uma peça deformada deste quebra-cabeça, ou se estou no conjunto errado.

sábado, 9 de maio de 2015

O Sonho Esquecido

Nascido em um coração quente e pulsante, aquele pequeno sonho se sentia grande e importante, sabia que se tornaria realidade, pois o coração ao qual ele pertencia a cima de tudo era confiante e entusiasmado, sabia que só alguns passos e aconteceria.
Mas não foi bem assim, com o tempo aquele sonho teve que dividir o lugar com a realidade, com as ilusões e desilusões da vida, com o cansaço da rotina, e com a dor da perda, e aquele coração outrora confiante e pulsante se tornou temeroso e cansado, sem ânimo para novas tentativas, com medo de falhar, medo de decepcionar os outros, aquele coração já não aguentava mais ser chamado de louco, ser deixado de lado, e teve que se adaptar a realidade, trancou seus sonhos numa gaveta, e passou a viver de contingências, mal batia, sobrevivia. 
Assim o tempo passou, e aquele pequeno sonho se sentia cada vez mais inalcançável sentia o frio que agora reinava no coração no qual vivia, mas ainda lutava e se debatia naquela gaveta, queria ser ouvido de novo, sabia que o coração precisava dele para voar, não queria morrer ali esquecido.
Depois de tantas dores, o coração já não se arriscava, construíra um muro em volta de si pra evitar ataques, o que fez com que fosse cada vez mais difícil para ele voar, mal olhava o horizonte, mal sorria. Mas um dia enquanto tentava esquecer a vida, ouviu um ruido numa gaveta que ele nunca abria, escutou uma musica que lhe era conhecida, quele som trouxe tantas boas lembranças que entre excitação e hesitação ele abriu a gaveta, e pulou sobre ele um pequeno sonho, quase sem forças mas cheio de brilho e de possibilidades, e foi como uma chama acendendo de novo o coração e causando uma rachadura no muro, o coração foi invadido por um raio de luz o iluminando de vontade e animo, e por uma brisa balançando de novo suas asas. Mesmo com medo de falhar ele sabia que dessa vez poderia seguir aquele sonho e aos poucos levantar voo.
Quando a gaveta finalmente se abriu, aquele pequeno e maltratado sonho viu sua oportunidade, saltou e agarrou com todas as forças que podia o coração ao qual pertencia, sentiu-se de novo confiante sabia que dessa vez poderia crescer e voar.
E até hoje aquele sonho esquecido numa gaveta voa junto ao coração que o gerou.